terça-feira, 10 de abril de 2012

Inclusão digital




Internet! De tão fantástica mereceu uma exclamação logo no inicio do texto. Este instrumento da mais pura democracia. Aqui todos somos iguais, cada um diz o que quer sem comprometer, este lugar mágico permite você ser o que você quiser (ainda mais se tiver conhecimento em fotoshop).

Mas neste mundo de tijolos dourados será que é tudo assim tão perfeito? Antes que me interpretem mal não estou me referindo a pedófilos ou a comunidades de ódio. Mas de algo mais cruel, algo que de tão vil se esconde no meio desta democracia, ali despercebida no seio da igualdade.

O mundo virtual, tamanho foi seu destaque, chegou aos ouvidos de nosso governo que começou com políticas de inclusão digital para as comunidades mais pobres, somado-se a isto o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas que cada vez mais foram ganhando acesso a carros, viagens aéreas e, como não poderia deixar de ser, a internet, fruto da estabilidade financeira do país.

E o tal problema?

Ora, o novo usuário de internet: Pobres. Pessoas estas que muitas vezes só vieram a ter um computador próprio quando adultos, ou apenas chegaram a mexer em seus empregos com as funções básicas para trabalho (word, excel, etc) e alguns outros facilitadores do trabalho burocrático.

Este novo usuário não sabe se comportar na internet, não é incomum ver um deles postando fotos obscenas, usando um linguajar horrível com muitos erros de ortografia, entre tantas outras gafes que estão por todos os lados. E por isto este usuário é ofendido e excluído em fóruns e redes sociais, por ser alguém de classe inferior; alguém não merecedor deste mundo novo.

E como fica a democracia da internet? Afinal, aqui não é para todos? Talvez eu tenha me enganado, pois me parece que a internet é para todos que são iguais aos pré-internetianos (termo criado por mim), pessoas que já usavam a internet antes da inclusão digital, ou seja, burgueses que nasceram com um computador ou que logo na infância ou inicio da adolescência já tinham acesso a um.

Mas, o que difere o novo usuário do antigo usuário? Pode parecer boba a resposta, mas é o tempo de uso. O antigo usuário desde a infância já mexe em um computador, já falou todas as besteiras que poderia falar, publicou fotos que não deveriam, clicou em links que não deveriam, e enfim aprendeu o que deve e o que não deve fazer na internet.

Enquanto isso o novo usuário esta cometendo estes erros agora, ele é apenas um bebe na internet. Você briga com um bebe por fazer caquinha nas fraudas? E porque ofende este novo usuário, vulgo pobre.

A internet é um instrumento poderoso de democracia, a voz de qualquer um é transmitida a todo o mundo em segundos, sem diferenciação de raça, cor, etnia ou quanto custou sua camisa Nike.

O preconceito de classe foi transportado a internet e por incrível que pareça os novos agressores não se vêem como algozes, mas como vítimas!

Um termo que se encaixa bem nesta situação é o “elitismo”, ou seja, manda quem é elite. E quem é a elite? Os primeiros usuários, a nobreza. Notam alguma semelhança com a realidade?

O mundo é virtual, mas o preconceito é real. Algumas coisas não mudaram tanto e nossa história parece querer se repetir novamente, o que espera para o futuro da internet? Guerras mundiais virtuais? Google x Apple? Bytes sendo mortos em uma batalha sangrenta?

O que te engrandece neste mundo virtual é a solides de suas idéias. Se algum novo bebe virtual fala besteira no que isto prejudicaria a “elite de usuários”? Os bebes são tão fortes a ponto de assustá-los? O simples choro de um bebe pode apagar seus ideais?

De nenhuma forma defendo a falta de técnica na escrita ou a obscenidade na internet, porém devemos enfrentar esta batalha de classes não com ódio (como costumeiramente é feito na vida real), mas com compreensão, afinal se suas idéias são firmes ela irá se destacar independente da quantidade de pessoas que estejam nesse universo único que é a internet.

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