Internet! De tão fantástica mereceu uma exclamação logo no
inicio do texto. Este instrumento da mais pura democracia. Aqui todos somos
iguais, cada um diz o que quer sem comprometer, este lugar mágico permite
você ser o que você quiser (ainda mais se tiver conhecimento em fotoshop).
Mas neste mundo de tijolos dourados será que é tudo assim tão
perfeito? Antes que me interpretem mal não estou me referindo a pedófilos ou a
comunidades de ódio. Mas de algo mais cruel, algo que de tão vil se esconde no
meio desta democracia, ali despercebida no seio da igualdade.
O mundo virtual, tamanho foi seu destaque, chegou aos ouvidos de
nosso governo que começou com políticas de inclusão digital para as comunidades mais
pobres, somado-se a isto o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas que cada vez mais foram ganhando acesso a carros, viagens aéreas e, como não poderia deixar de ser, a internet, fruto da
estabilidade financeira do país.
E o tal problema?
Ora, o novo usuário de internet: Pobres. Pessoas estas que
muitas vezes só vieram a ter um computador próprio quando adultos, ou apenas
chegaram a mexer em seus empregos com as funções básicas para trabalho (word, excel, etc) e alguns outros facilitadores do trabalho burocrático.
Este novo usuário não sabe se comportar na internet, não é
incomum ver um deles postando fotos obscenas, usando um linguajar horrível com
muitos erros de ortografia, entre tantas outras gafes que estão por todos os
lados. E por isto este usuário é ofendido e excluído em fóruns e redes sociais,
por ser alguém de classe inferior; alguém não merecedor deste mundo novo.
E como fica a democracia da internet? Afinal, aqui não é para todos? Talvez eu tenha me enganado, pois me parece que a internet é para todos
que são iguais aos pré-internetianos (termo criado por mim), pessoas que já
usavam a internet antes da inclusão digital, ou seja, burgueses que nasceram
com um computador ou que logo na infância ou inicio da adolescência já tinham
acesso a um.
Mas, o que difere o novo usuário do antigo usuário? Pode
parecer boba a resposta, mas é o tempo de uso. O antigo usuário desde a
infância já mexe em um computador, já falou todas as besteiras que poderia
falar, publicou fotos que não deveriam, clicou em links que não deveriam, e
enfim aprendeu o que deve e o que não deve fazer na internet.
Enquanto isso o novo usuário esta cometendo estes erros
agora, ele é apenas um bebe na internet. Você briga com um bebe por fazer caquinha
nas fraudas? E porque ofende este novo usuário, vulgo pobre.
A internet é um instrumento poderoso de democracia, a voz de
qualquer um é transmitida a todo o mundo em segundos, sem diferenciação de
raça, cor, etnia ou quanto custou sua camisa Nike.
O preconceito de classe foi transportado a internet e por
incrível que pareça os novos agressores não se vêem como algozes, mas como vítimas!
Um termo que se encaixa bem nesta situação é o “elitismo”,
ou seja, manda quem é elite. E quem é a elite? Os primeiros usuários, a nobreza.
Notam alguma semelhança com a realidade?
O mundo é virtual, mas o preconceito é real. Algumas coisas não mudaram tanto e nossa história parece querer se repetir
novamente, o que espera para o futuro da internet? Guerras mundiais virtuais?
Google x Apple? Bytes sendo mortos em uma batalha sangrenta?
O que te engrandece neste mundo virtual é a solides de suas
idéias. Se algum novo bebe virtual fala besteira no que isto prejudicaria a
“elite de usuários”? Os bebes são tão fortes a ponto de assustá-los? O simples
choro de um bebe pode apagar seus ideais?
De nenhuma forma defendo a falta de técnica na escrita ou a
obscenidade na internet, porém devemos enfrentar esta batalha de classes não
com ódio (como costumeiramente é feito na vida real), mas com compreensão,
afinal se suas idéias são firmes ela irá se destacar independente da quantidade
de pessoas que estejam nesse universo único que é a internet.
Nenhum comentário:
Postar um comentário