Desde a primeira vez que a vi senti que ela era diferente das outras, divertida,
bela, charmosa e tudo o que eu poderia desejar, mas também tinha algo a mais, algo que até
mesmo antes de realmente a conhecer já me atraiu. Porém, como todo mortal nada
fiz, afinal, quem sou eu?
Ser uma pessoa normal não me tirava a vontade de admirar aqueles longos cabelos loiros, tingidos eu admito, mas que mulher
hoje em dia não é assim?
Até mesmo comecei a vigiar-me, afinal, talvez estivesse
deixando claro demais minhas intenções, que me levavam muito próximo a ela, mas
ao mesmo tempo longe, pois temia que ela descobrisse que eu não sou nada
demais. Naquela época não tenho lembranças de falar com ela, talvez realmente
apenas a admirasse de longe.
O que quero contar aconteceu em um dia qualquer, enquanto andava por um lugar qualquer, quando a
vi por acaso. Minhas intenções ainda oscilavam sobre o que fazer, afinal estava
distraído e não me preparei psicologicamente para vê-la, logo ali, sentada em uma quina de um jardim qualquer.
Com alguns passos passaria diante dela, e com mais alguns
não mais a veria naquele dia, ela ficaria para trás. Porém daquela vez algo
mudou. 1 passo, 2 passos, lentamente fui passando, a vi sentada com a cabeça baixa, 3 passos, 4 passos, eu estava em frente a ela, por um momento ela
olhou para cima, olhou para mim, talvez por uma fração de segundos, tempo o bastante para ver claramente lagrimas em seus olhos, 5 passos, 6 passos, meu corpo continuava a
se mover embora aquelas lagrimas tivessem mudado todo meu dia.
Já não podia mais vê-la, estava 2 passos para trás, mas
afinal o que faria se me virasse? Mas a sorte foi lançada. Aquela fração de
segundo que ela me olhou foi a sentença decretada pelo destino (e sem direito a
recurso), se eu passasse não teria mais o direito de sonhar com ela.
Voltei a olhar para ela, não sei por quanto tempo. Agora ela
percebia o desconhecido a olhando. "Não há mais saída" pensei e logo andei em sua
direção, sentei ao seu lado e apenas falei:
- Não chore
Alguns já devem estar pensando que esta abordagem foi muito
ruim, mas meu coração palpitava, aquele suor frio escorrendo da
orelha até as costas, me senti o super-homem na frente de uma kryptonita, porém, ao contrário do que qualquer um que me conhecesse esperasse, as palavras simplesmente começaram a sair,
não sei como, mas saíram como bravos guerreiros que se recusam a morrer em
frente a uma batalha sangrenta.
Conforme conversávamos seus olhos pararam de lagrimejar,
suas bochechas voltaram a corar e a cada minuto ela estava mais bela, e
aqueles olhos que jamais havia visto de tão perto cada vez pareciam focar mais
nos meus, me assustando, mas de uma forma agradável.
As horas passavam, o sol caminhava para qualquer lugar, 4 ou
talvez 5 horas se passaram. “Uau” isso era apenas o que sentia naquele momento,
não sabia de onde vinham minhas palavras, muito menos onde me levavariam, nunca me dei bem com as mulheres, mas
esta me transformava a cada palavra, cada sorriso, a cada vez que ria de minhas piadas
(inclusive as infames) e eu adorava tudo aquilo.
Já estava ficando escuro, luzes se acendiam nos postes, mas naquele momento não reparei, não valia a pena, tudo estava perfeito. Como aquele dia normal se
tornou nisto? Fiz a mais linda das mulheres parar de chorar e novamente sorrir ficando mais bela do que nunca.
Em certo momento ela repentinamente se levantou e parou em frente a um homem alto de
aparência simpática que simplesmente falou:
- Me perda?
Ela se inclinou para beijá-lo, algo como uma cena de final
de filme. A mocinha perfeita com o protagonista bonitão. Enfim eles deram as
mãos e se foram, claro sem antes deixar seu “tchau”, a última recompensa para
aquele que estava ainda sentado na quina de um jardim qualquer, foi então que
finalmente percebi quem realmente deveria chorar.
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