segunda-feira, 9 de abril de 2012

Não chore




Desde a primeira vez que a vi senti que ela era diferente das outras, divertida, bela, charmosa e tudo o que eu poderia desejar, mas também tinha algo a mais, algo que até mesmo antes de realmente a conhecer já me atraiu. Porém, como todo mortal nada fiz, afinal, quem sou eu? 

Ser uma pessoa normal não me tirava a vontade de admirar aqueles longos cabelos loiros, tingidos eu admito, mas que mulher hoje em dia não é assim?

Até mesmo comecei a vigiar-me, afinal, talvez estivesse deixando claro demais minhas intenções, que me levavam muito próximo a ela, mas ao mesmo tempo longe, pois temia que ela descobrisse que eu não sou nada demais. Naquela época não tenho lembranças de falar com ela, talvez realmente apenas a admirasse de longe.

O que quero contar aconteceu em um dia qualquer, enquanto andava por um lugar qualquer, quando a vi por acaso. Minhas intenções ainda oscilavam sobre o que fazer, afinal estava distraído e não me preparei psicologicamente para vê-la, logo ali, sentada em uma quina de um jardim qualquer.

Com alguns passos passaria diante dela, e com mais alguns não mais a veria naquele dia, ela ficaria para trás. Porém daquela vez algo mudou. 1 passo, 2 passos, lentamente fui passando, a vi sentada com a cabeça baixa, 3 passos, 4 passos, eu estava em frente a ela, por um momento ela olhou para cima, olhou para mim, talvez por uma fração de segundos, tempo o bastante para ver claramente lagrimas em seus olhos, 5 passos, 6 passos, meu corpo continuava a se mover embora aquelas lagrimas tivessem mudado todo meu dia.

Já não podia mais vê-la, estava 2 passos para trás, mas afinal o que faria se me virasse? Mas a sorte foi lançada. Aquela fração de segundo que ela me olhou foi a sentença decretada pelo destino (e sem direito a recurso), se eu passasse não teria mais o direito de sonhar com ela.

Voltei a olhar para ela, não sei por quanto tempo. Agora ela percebia o desconhecido a olhando. "Não há mais saída" pensei e logo andei em sua direção, sentei ao seu lado e apenas falei:
- Não chore

Alguns já devem estar pensando que esta abordagem foi muito ruim, mas meu coração palpitava, aquele suor frio escorrendo da orelha até as costas, me senti o super-homem na frente de uma kryptonita, porém, ao contrário do que qualquer um que me conhecesse esperasse, as palavras simplesmente começaram a sair, não sei como, mas saíram como bravos guerreiros que se recusam a morrer em frente a uma batalha sangrenta.

Conforme conversávamos seus olhos pararam de lagrimejar, suas bochechas voltaram a corar e a cada minuto ela estava mais bela, e aqueles olhos que jamais havia visto de tão perto cada vez pareciam focar mais nos meus, me assustando, mas de uma forma agradável.

As horas passavam, o sol caminhava para qualquer lugar, 4 ou talvez 5 horas se passaram. “Uau” isso era apenas o que sentia naquele momento, não sabia de onde vinham minhas palavras, muito menos onde me levavariam, nunca me dei bem com as mulheres, mas esta me transformava a cada palavra, cada sorriso, a cada vez que ria de minhas piadas (inclusive as infames) e eu adorava tudo aquilo.

Já estava ficando escuro, luzes se acendiam nos postes, mas naquele momento não reparei, não valia a pena, tudo estava perfeito. Como aquele dia normal se tornou nisto? Fiz a mais linda das mulheres parar de chorar e novamente sorrir ficando mais bela do que nunca.

Em certo momento ela repentinamente se levantou e parou em frente a um homem alto de aparência simpática que simplesmente falou:
- Me perda?

Ela se inclinou para beijá-lo, algo como uma cena de final de filme. A mocinha perfeita com o protagonista bonitão. Enfim eles deram as mãos e se foram, claro sem antes deixar seu “tchau”, a última recompensa para aquele que estava ainda sentado na quina de um jardim qualquer, foi então que finalmente percebi quem realmente deveria chorar.

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