quinta-feira, 24 de maio de 2012
Sinais ofensivos
Alguns dias atrás assisti um trecho do seriado Seinfeld que me fez pensar sobre as ofensas com sinais e palavras.
No seriado o protagonista enfatiza que quando alguém mostra o dedo médio (vulgo "do meio") ele se torna obrigado a se ofender. Nós nos comunicamos através de sinais, sejam por gestos ou sons, porém de onde vem esta obrigação de se ofender?
A primeira vista podemos pensar que o emissor das palavras ou gestos ofensivos poderiam ser a causa da ofensa, porém discordo, afinal a ofensa precisa de 2 elementos para ocorrer: o emissor e a tradução.
A tradução se da pela interpretação das intenções do emissor da ofensa, em outras palavras, você só se ofenderá se traduzir as intenções do emissor.
Diferente de um soco que só depende do emissor (você se machucará traduzindo o soco ou não) as ofensas por sinais só tornam forma quando você cria elas em sua cabeça. Quando você é mandado para "aquele lugar" estas palavras só se tornam malignas quando você resolve criar uma lança dentro de sua própria cabeça.
Se você se ofende quando alguém te xinga, você também é o culpado, você forneceu a criação da arma ao seu inimigo, você é o elo entre o projeto e o dano.
Então minha mensagem a você leitor é simples: reflita e vá se foder.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
O valor do afeto
A pouco tempo ficou famosa uma decisão judiciária que sentenciou um pai indenizar sua filha (agora já com seus trinta e tantos anos) por abandona-la
desde criança, deixando os papeis de pai e mãe apenas com a mãe.
Esta mesma notícia poderia ter como título “Judiciário
obriga a pai amar sua filha” ou até mesmo “Judiciário permite a troca do afeto
paternal por dinheiro”, afinal o quanto vale o afeto paternal?
Nossa sociedade se tornou dinâmica e o mesmo ocorre com as
famílias. Casais de homossexuais e pessoas solteiras podem adotar, mas se o
Estado admite que uma pessoa sozinha pode adotar, porque uma mãe sozinha não
pode criar bem um filho?
É claro que dois cuidam melhor do que um, naquele velho
esquema “pai trabalha e mãe cuida”, quando temos apenas um destes elementos no
jogo o outro papel acaba por ser “terceirizado”, geralmente por avos ou tios.
Porém quando foi que o Estado se tornou legítimo para
quantificar qual o valor de um pai? Imaginemos um pai alcóolatra, que é violento,
que gasta o dinheiro para pagar as contas mais básicas para se embriagar, este
pai com certeza será uma possível influência negativa, muito mais do que um pai
ausente, então qual o valor que este pai deverá indenizar seus filhos?
Também podemos pensar em um pai que viveu uma vida simples,
em outras palavras um ignorante, este não poderia nem ao menos ajudar no dever
de casa de seus filhos, então qual a indenização deverá ser pago a seus filhos?
Não irei falar sobre minha conclusão a respeito do tema, mas
fecharei este texto com uma pergunta: Se a mãe que cria seu filho sozinha for
rica o pai deverá pagar pelo abandono ou o dinheiro da mãe já substitui o afeto
do pai em relação ao filho?
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